|
|
Amigos
Lenda árabe Diz uma lenda árabe que dois amigos viajavam pelo deserto e, em um determinado ponto da viagem, discutiram e um deu uma bofetada no outro. O outro, ofendido, sem nada poder fazer, escreveu na areia: HOJE, MEU MELHOR AMIGO ME DEU UMA BOFETADA NO ROSTO. Seguiram adiante e chegaram a um oásis onde resolveram banhar-se. O que havia sido bofeteado e magoado começou a afogar-se, sendo salvo pelo amigo. Ao recuperar-se, pegou um canivete e escreveu em uma pedra: HOJE, MEU MELHOR AMIGO SALVOU MINHA VIDA. Intrigado, o amigo perguntou: POR QUE, DEPOIS QUE TE MAGOEI, ESCREVEU NA AREIA E AGORA, ESCREVE NA PEDRA? Sorrindo, o outro amigo respondeu: Quando um grande amigo nos ofende, devemos escrever onde o vento do esquecimento e o perdão se encarregam de borrar e apagar a lembrança. Por outro lado, quando nos acontece algo grandioso, devemos gravar isso na pedra da memória do coração onde vento nenhum em todo o mundo poderá sequer borrá-lo.
Amigo de verdade Certa vez um soldado disse ao seu tenente: meu amigo não voltou do campo de batalha, senhor, solicito permissão para ir buscá-lo. "Permissão negada", replicou o oficial. Não quero que arrisque a sua vida por um homem que provavelmente está morto. O soldado, ignorando a proibição, saiu, e uma hora mais tarde regressou, mortalmente ferido, transportando o cadáver de seu amigo. O oficial estava furioso: já tinha dito que ele estava morto!!! Agora eu perdi dois homens! Diga-me: valeu a pena trazer um cadáver? E o soldado, moribundo, respondeu: claro que sim, senhor! Quando o encontrei, ele ainda estava vivo e pôde me dizer: "tinha certeza que você viria". Amigo é aquele que chega quando todo mundo já se foi! (Autor desconhecido)
Amigos (Vinicius de Moraes) Tenho amigos que não sabem o quanto são meus amigos. Não percebem o amor que lhes devoto e a absoluta necessidade que tenho deles. A amizade é um sentimento mais nobre do que o amor, eis que permite que o objeto dela se divida em outros afetos, enquanto o amor tem intrínseco o ciúme, que não admite a rivalidade. E eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos! Até mesmo aqueles que não percebem o quanto são meus amigos e o quanto minha vida depende de suas existências .... A alguns deles não procuro, basta-me saber que eles existem. Esta mera condição me encoraja a seguir em frente pela vida. Mas, porque não os procuro com assiduidade, não posso lhes dizer o quanto gosto deles. Eles não iriam acreditar. Muitos deles estão lendo esta crônica e não sabem que estão incluídos na sagrada relação de meus amigos. Mas é delicioso que eu saiba e sinta que os adoro, embora não declare e não os procure. E às vezes, quando os procuro, noto que eles não tem noção de como me são necessários, de como são indispensáveis ao meu equilíbrio vital, porque eles fazem parte do mundo que eu, tremulamente, construí e se tornaram alicerces do meu encanto pela vida. Se um deles morrer, eu ficarei torto para um lado. Se todos eles morrerem, eu desabo! Por isso é que, sem que eles saibam, eu rezo pela vida deles. E me envergonho, porque essa minha prece é, em síntese, dirigida ao meu bem estar. Ela é, talvez, fruto do meu egoísmo. Por vezes, mergulho em pensamentos sobre alguns deles. Quando viajo e fico diante de lugares maravilhosos, cai-me alguma lágrima por não estarem junto de mim, compartilhando daquele prazer... Se alguma coisa me consome e me envelhece é que a roda furiosa da vida não me permite ter sempre ao meu lado, morando comigo, andando comigo, falando comigo, vivendo comigo, todos os meus amigos, e, principalmente os que só desconfiam ou talvez nunca vão saber que são meus amigos! A gente não faz amigos, reconhece-os.
|
|
|
E-mail | Busca | Translate | Enciclopédia | Dicionário | Caiazzo.com.br | Construção de Sites |